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Sexta-feira, 03 de abril de 2020

14/02/2020 - 17h20min

Daniel Andriotti

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A China não é aqui

Imaginemos que, se ao invés da China, o epicentro do Coronavírus tivesse sido no Brasil?

Primeiro lugar: as máscaras sumiriam das prateleiras em dois dias. Não que fossem compradas por toda a população amedrontada, mas porque haveria um grande lobby junto à bancada da indústria farmacêutica na Câmara Federal para que somente duas ou três grandes redes pudessem comercializá-las de acordo com as normas do INMETRO. Após uma semana – depois da morte de centenas de brasileiros – as máscaras ressurgiriam ‘como que num passe de mágica’ potencializadas por um ágio de 350% que, evidentemente, poderiam ser compradas no cartão de crédito em até três vezes sem juros.

Vamos aos hospitais: os dois que a China construiu em 10 dias, caso fosse aqui no Brasil a oposição levaria três meses – após voltar do recesso parlamentar – para montar uma força tarefa pluripartidária a fim de analisar o projeto e discutir o teor da matéria em plenário. Feito isso e considerando várias ressalvas, também conhecidas como ‘barganha’ ou ‘moeda de troca’ para acordos embasados nos interesses de cada bancada, principalmente a do PT, PSDB, MDB, PTB e PDT que, juntas, formam a maior facção criminosa político-partidária da história das negociatas escusas do mundo, encaminharia o projeto ao Senado.

Calma lá. Para entrar na pauta do Senado em regime de urgência, a mesa diretora teria que se reunir com o Governo Federal num jantar a portas fechadas no palácio do Planalto, cujo cardápio teria Lagosta, Salmão e pato ao molho tucupi – regado a um bom vinho tinto Romanée Conti, cuja garrafa custa em torno de R$ 166 mil – para discutir com qual contrapartida a Casa seria beneficiada para que um projeto desses ‘furasse’ a agenda.

Nesse meio tempo, sensibilizado, o Governo Federal iria homenagear os familiares dos cidadãos que não resistiram à epidemia, enterrando os corpos num único local. Um grande cemitério temático. A madeira para os ataúdes ou esquifes viria da Amazônia mas... ao saber disso, diversas ONG’s internacionais, lideradas pela menina sueca Greta Thunberg, promoveriam protestos pelo mundo inteiro, com pessoas nuas fumando maconha e ocupando espaços públicos. Ainda com relação à área destinada pelo governo ao referido ‘campo santo’, a propriedade já havia sido reivindicada pelo Incra para o MST. Com isso, um novo local foi vistoriado próximo a uma das fazendas de um conhecido deputado federal da base aliada e com reduto eleitoral no Nordeste que ‘não mediria esforços’ para viabilizar a escritura do local onde funcionava a pista de pouso para os aviões dos amigos que chegavam ou saíam das suas terras a fim de comprar gado para abastecer seus frigoríficos.

Como se sabe, ainda não há vacina contra o Coronavírus. No entanto, numa seita religiosa qualquer do interior do Mato Grosso, uma espécie de curandeiro promoveria a venda de um produto envasado em garrafas pet, muito semelhante à vacina que a ciência ainda não descobriu. Após participar do quadro “Arquivo Confidencial” do Domingão do Faustão – “ô loco, meu!!!” – o programa Fantástico dedicaria um bloco de 20 minutos para entrevistar esse ‘ser iluminado’, mais tarde identificado como um molestador de mulheres que serviram de cobaia para o seu experimento.

Voltando aos hospitais: graças ao regime de urgência-urgentíssima o projeto seria aprovado em tempo recorde: oito meses, período em que já teria morrido 350 mil brasileiros. E então, quando por fim chegasse a hora das licitações para a construção dos hospitais, a OAS, a Andrade Gutierrez e a Odebrecht formariam um consórcio para, evidentemente, ‘reduzir o custo’ da obra e agilizar a construção.

Nem mesmo os chineses seriam tão eficientes, tão eficazes e tão corretos.

Daniel Andriotti

[email protected]

Publicado em 15/2/20.

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