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Segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

06/01/2020 - 13h54min

Daniel Andriotti

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Botes e coletes salva-vidas

Calma que o ano ainda não começou. Este 2020, no Brasil, com exceção da Bahia, só inicia em 2 de março, que é a primeira segunda-feira depois do Carnaval.

Quem me conhece sabe: eu nunca votei no PT. Não me orgulho disso, mas também não me arrependo. O que significa que nos últimos 16 anos fui governado por presidentes que não elegi. Mas sempre deixei muito claro que, uma vez eleito o presidente do meu país, independente do partido, da capacidade e da ideologia, eu torço desesperadamente para que tudo dê certo com a sua gestão. Rezo para que ele faça o melhor que puder porque afinal de contas é a teoria do “mesmo barco”, embora que para alguns exista o colete salva-vidas. Para outros, resta saber nadar. E nos últimos 16 anos só nadei...e contra a correnteza porque o dinheiro pago com os meus impostos, fruto do meu trabalho na iniciativa privada do sistema capitalista e opressor, estava sendo canalizado para compra de botes infláveis e coletes salva-vidas... para resgatar os companheiros.

As principais diferenças entre as ideologias de esquerda e de direita se dão em torno dos interesses dos indivíduos e o papel do governo. Terminado o primeiro ano da gestão Bolsonaro – em quem votei por absoluta falta de opção no segundo turno e do qual também não me orgulho nem me arrependo – sigo nadando contra a maré. Só que agora, tenho a nítida impressão que o dinheiro dos meus impostos não está sendo utilizado para a compra de botes salva-vidas entregues aos militantes e correligionários. E isso faz potencializar a existência absurda de uma divisão entre “nós e eles”. Traduzindo: boa parte do povo brasileiro segue torcendo para o país dar errado porque o seu candidato perdeu a eleição. Diferentemente de mim quando fui governado por presidentes petistas.

Nos últimos doze meses vi – porque, sim, isso a Globo mostra – uma parcela de estudantes barulhentos das universidades públicas revoltada porque não gostou da Medida Provisória que fez com que a carteira de estudante, antes paga, passasse a ser distribuída gratuitamente. Vi, numa ampla cobertura do Jornal Nacional, trabalhadores exigindo a volta do imposto sindical, principalmente no ABC paulista, forjado pelo reduto eleitoral do ex-presidente Lula. Repito: trabalhadores reclamando que não mais lhe era descontado o imposto sindical!!! Li em parte da imprensa ‘isenta e imparcial’, que um Senador eleito pelo voto dos gaúchos foi ovacionado – acredito que por torcedores do Inter pois todos vestiam camisetas vermelhas – porque esse proibiu o Presidente da República de extinguir um seguro obrigatório, o DPVAT, fato que em qualquer outro lugar do mundo, lhe renderia um linchamento em praça pública. Tudo isso e mais um pouco numa tentativa incondicional de desestabilizar um governo que não teve o seu voto. Nunca tantos vetos foram derrubados pelo Congresso. A prática do “toma-lá-dá-cá” para que qualquer coisa fosse aprovada na Câmara dos Deputados está cada vez mais difícil e com isso, fica muito claro que nossos parlamentares não sabem votar pelo benefício do povo; mas sim somente pelo interesse próprio.

Nunca uma base aliada se desfez com tanta velocidade. De jornalista traiçoeira a ator pornô, passando por rockeiro youtuber entre outros tantos aproveitadores que se aproximaram do presidente fascista achando que, depois da vitória, ganhariam aquela tradicional "boquinha" retroalimentando a velha política, só que com personagens diferentes. Tão logo perceberam que haviam "quebrado a cara", pularam do barco. Detalhe: sem o colete e nem o bote salva-vidas...

E então, com tanta torcida adversária, o presidente finalmente caiu. Mas foi no banheiro. Sem muita gravidade...

Daniel Abdriotti

[email protected]

Publicado em 04/1/2020.

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