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Terça-feira, 17 de setembro de 2019

23/08/2019 - 15h37min

Daniel Andriotti

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Toca Raul

A título acima é uma espécie de “meme” da vida real. Basta um violão. Isso porque o Maluco Beleza foi um dos pioneiros do rock brasileiro – mesclado ao baião, o que por si só, já é possível medir o índice da sua insanidade criativa – com 17 discos em 26 anos de carreira, sendo que o primeiro deles foi gravado em 1968, ainda na companhia d’Os Panteras, grupo que chegou a trabalhar como banda de apoio para Jerry Adriani.

Por se tratar de um adolescente ‘fora da curva’ ou muito à frente do seu tempo, Raul Seixas foi um péssimo aluno. Faltava às aulas em Salvador, onde nasceu, para ouvir “esse tal de rock’n roll” numa loja chamada Cantinho da Música. Seus preferidos, que inevitavelmente acabaram virando influência eram Little Richard e, é claro, o rei Elvis Presley.

Na minha humilde opinião, o melhor disco de Raul foi “Krig-Ha Bandolo”, de 1973, que traz a antológica “Ouro de Tolo” (uma letra autobiográfica em que fala sobre as dificuldades pelas quais passou ao descer para o Rio de Janeiro – ‘...Eu devia estar alegre e satisfeito / Por morar em Ipanema / Depois de ter passado fome por dois anos /Aqui na cidade maravilhosa...’); além de “Mosca na Sopa” e a clássica “Metamorfose Ambulante” (‘...do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo’).

No ano seguinte, o álbum “Gitá”, trazia a subversiva “Sociedade Alternativa” com o refrão ‘Faz o que tu queres, pois é tudo da lei’. ‘Gitá” deu a Raul e Paulo Coelho, seu parceiro da hora na grande maioria das composições, um Disco de Ouro com 600 mil cópias vendidas. Depois, teve o ‘hino’ de auto ajuda, “Tente Outra Vez” (...não diga que a vitória está perdida), do LP Novo Aeon, de 75, um fracasso de vendas. Recuperou-se, no entanto, um ano depois com “Há 10 Mil Anos Atrás”.

No começo da década de 80, o álbum da vez foi “Abre-te Sésamo”, período em que começaram as constantes internações para desintoxicação. Sim, os vícios já cobravam um preço alto do organismo diabético de Raul. Quando apelou para “Plunct Plact Zum”, “Metrô Linha 743” e o último “Panela do Diabo”, em parceria com Marcelo Nova, da graças a Deus extinta banda ‘Camisa de Vênus’, era tarde demais.

Quarta-feira, dia 21, fez 30 anos que numa manhã de segunda-feira, uma pancreatite aguda fulminante levou Raul Seixas aos 44 anos, após uma noite de muitas doses de uísque e nenhuma insulina. As músicas de letras fortes e de dóceis melodias fazem com que – mesmo três décadas depois – a lenda perdure. Basta ver alguém abraçado a um violão e gritar: “Toca Raul!!!”.


Já que as datas nos marcam na paleta, se você está lendo esse jornal sábado, 24, saiba que neste dia fez 65 anos que o presidente Getúlio Vargas cometeu o suicídio no Palácio do Catete, no Rio de Janeiro. Perto dali, na última quarta, foi o colorado que cometeu o suicídio. Escrevi nesse mesmo espaço, há duas semanas (edição de 10 de agosto), que o Inter tinha um treinador contestado, um grupo limitado e que, apesar disso, ia entrando – aos trancos e barrancos – no funil da Copa do Brasil e da Libertadores da América. Quarta-feira, a máscara colorada caiu num Maracanã lotado. Teimosia de comando e pouca qualificação técnica dentro das quatro linhas. Missão quase impossível de reverter o resultado no Beira-Rio. Tanto quanto difícil é a sobrevida do imortal tricolor diante do Palmeiras, embora maior. Penso que não teremos gaúchos no Chile, disputando a final...

Daniel Andriotti

[email protected]

Publicado em 24/8/2019.

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