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Quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020

02/08/2019 - 14h19min

Daniel Andriotti

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O poste e o cachorro

Fim de semana passado, cidade maravilhosa do Rio de Janeiro.

Um zumbi de rua, tipo The Walking Dead – desses que assombra a nossa existência em qualquer lugar do mundo –, resolveu esfaquear um engenheiro e sua namorada que estavam de carro, parados e com vidro aberto, aguardando o sinal verde. Assalto? Não. Apenas um surto resultante dos danos causados pelo álcool e pelo crack no seu cérebro doentio. Um personal trainer, professor de educação física que também passava de carro pelo local, tentou interceder e foi igualmente esfaqueado. Morreram os dois agredidos. A mulher, noiva do engenheiro, sofreu vários cortes nas mãos e na barriga. A polícia cercou o agressor, tentou imobilizá-lo utilizando uma arma de choques – sem sucesso devido ao efeito das drogas e do álcool – e só conseguiu detê-lo após disparar com arma de fogo, acertando-lhe as pernas. O morador de rua está hospitalizado e passa bem.

Volta um pouco a fita. Quando os policiais de três diferentes batalhões do Rio de Janeiro chegaram havia apenas um esfaqueado: o engenheiro. Mas por que, então, a autoridade policial não evitou a morte do professor de educação física? É simples. Porque a insegurança jurídica, associada a uma ‘possível interpretação errônea do Ministério Público’ sobre os fatos, alinhada ao discurso raivoso da ‘esquerda caviar’, defensora dos direitos ‘dos manos’, induziu os PMs a uma ‘tentativa de negociação’ com o agressor drogado. Todos em volta, torciam ainda por um desfecho feliz graças à intervenção divina. Congela o filme. Nesse momento, a polícia tem a cabeça do agressor na mira da arma, mas começa a imaginar as manchetes dos principais jornais do país: “Policial executa morador de rua alcoolizado e indefeso”. Ou “ONGs ligadas aos Direitos Humanos exigem punição severa aos policiais assassinos”.

Corta para a cena real. As negociações envolvendo o diálogo iniciado pela polícia ‘não foram compreendidas’ pelo agressor. Tanto que o homem partiu para cima do personal trainer que, até então, estava ileso tentando evitar que outras pessoas virassem vítimas. Foi igualmente esfaqueado. Morreu ali. A PM então, tomou a iniciativa de atirar ‘nas pernas’ do suspeito (sim, apesar de todas as evidências escrevo suspeito porque a esquerda raivosa vai me acusar de politicamente incorreto se eu chamá-lo de assassino. Posso ser processado por injúria e difamação). Por fim, então, a PM o imobilizou.

Não é preciso ser perito para saber que balear alguém nas pernas é bem mais difícil do que acertá-lo no tórax. Por isso, ao disparar contra as pernas do zumbi, outros policiais, bombeiros e até uma técnica de enfermagem que estavam no meio do furdunço tentando ajudar foram feridos por tiros e estilhaços. Minha opinião: se a escolha é entre preservar a integridade do criminoso armado ou salvar as vidas das vítimas inocentes, não pode haver hesitação na hora de apertar o gatilho. E atenção esquerda hipócrita e raivosa: isso não tem nada a ver com o pacote anticrime do Ministro Sérgio Moro. Isso tem a ver com a preservação da vida das pessoas de bem.

Moral da história: a sociedade perdeu um engenheiro e um professor, trocando-os por um delinquente que iremos sustentar em Bangu 1. Se é que será preso. Foram sacrificadas as ovelhas para que se preservasse o lobo. As ONGs estão felizes e satisfeitas. Menos dois integrantes do sistema capitalista e opressor. Perdoem a expressão chula, mas trata-se do poste mijando no cachorro.

Em tempo: um jornal impresso de grande circulação no Rio de Janeiro e no Brasil noticiou o episódio chamando a atenção para “o abandono e o drama dos moradores de rua...”.

Simples assim.

Sexta pela manhã fico engarrafado na ponte do Jacuí, entre Guaíba e Porto Alegre. Motivo: uma execução sumária. Na linha vermelha, no Rio, isso é banal, ninguém mais dá importância. Mas na travessia entre Guaíba e Porto Alegre, assusta...

Dupla Gre-Nal entra no funil de duas competições importantes. E mais: podem se cruzar na semi-final de ambas e, então, um deles obrigatoriamente terá que ‘matar’ o outro. Eu não lembro de um momento dos dois, juntos, tão próximos de uma final ao mesmo tempo. Agora sim, parece que começaram a Libertadores e a Copa do Brasil.

Daniel Andriotti

[email protected]

Publicado em 3/8/2019.

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