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Sexta-feira, 18 de outubro de 2019

07/06/2019 - 14h03min

Daniel Andriotti

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Telhados de Paris

Não é sobre a música de Nei Lisboa que quero falar. É sobre o menino “Ney”...

Particularmente nunca enxerguei em Neymar uma estrela da constelação vip dos grandes nomes do futebol mundial. Um pouco acima da média, talvez. Foi protagonista no Santos, é verdade. Depois, com menos brilho, no Barcelona, quando teve que dividir os holofotes com Messi, Iniesta, Xavi, Suárez... Quando chegou ao PSG, tinha perdido o fôlego – que alguns mais saudosistas chamam de encanto – pelo mesmo motivo que chegaram tantos outros, na sua condição de ‘craque’: a falta de motivação pelo excesso de dinheiro.

Neymar foi a transferência mais cara da história do futebol mundial em 2017, quando trocou a Espanha pela França. Fala-se que ganha 10 mil euros mensais entre salários e contratos de publicidade. Se for verdade, isso dá cerca de R$ 43 milhões e oitocentos mil reais. Uma Mega Sena acumulada a cada 30 dias. Ou R$ 1,4 milhão por dia. R$ 60 mil por hora. Mil reais por minuto. Se você levar cinco minutos lendo esse texto, saberá que nesse meio tempo, Neymar terá R$ 5 mil a mais na conta.

Neymar é marrento. Ostentador. Típico de jovem carente da periferia que passa a ganhar uma fortuna da noite para o dia. Possui gostos duvidosos ao se vestir muito provavelmente influenciado pelo amigo e colega de time Daniel Alves, de gosto não-menos duvidoso para roupas. O menino Ney, dificilmente anda de carro. Deve ser mesmo um ‘saco’ para quem tem tanto dinheiro entrar num veículo blindado, enfrentar engarrafamentos, sinal fechado, manobrista, flanelinha... Por isso, usa o seu helicóptero. Personalizado. Viagens mais distantes? Jatinho. No dele, é lógico. Cansou de enfrentar filas em salas de embarques de aeroportos lotados pelo mundo afora, despachando bagagens... Ele não precisa mais ter que atravessar o Atlântico numa poltrona desconfortável – mesmo que de primeira classe – ao lado de quem ele não conhece. Neymar emprega cerca de 60 pessoas para cuidar da sua vida, da sua agenda, das suas roupas, das suas entrevistas, da sua imagem, dos seus negócios, do seu cabelo, dos seus imóveis, dos seus aviões, do seu dinheiro. Mora numa casa de seis andares num dos bairros mais chiques de Paris. Nessa mansão, moram alguns ‘parças’, abreviatura de parceiros. Amigos de infância que, no Brasil, moravam na periferia. Usam brincos, roupas de marca, tatuagens...

Não há quase nada que o dinheiro possa comprar que Neymar não tenha. O que ele não tem é culpa de ser milionário. Até que se prove o contrário, o dinheiro dele é ‘limpo’, pago por alguém que reconhece seu talento como jogador de futebol. Não entendo que ele seja o culpado pelo seu país matar tanta gente na fila do SUS a espera de uma consulta. Ou que o seu país permita que sejam assassinados tantos jovens que não quiseram entregar o boné de aba reta ou um tênis Nike ao viciado em delírio. Ele não é culpado pelo fato do país em que nasceu ter a classe política mais corrupta do planeta e os professores com a pior remuneração salarial do mundo. Neymar é honesto. Não rouba. Não assalta. Ele não é bandido, nem traficante. E, por fim, ele não é um estuprador. Ele é, sim, um ingênuo diante do que a sua imagem vale.

Neymar fez muito pouco pelo futebol brasileiro nos últimos anos, é verdade. Acho pouco provável que ainda vá fazer alguma coisa vestindo a camisa amarela número 10. A curva descendente está cada vez mais na vertical. Talvez porque sua notoriedade fora das quatro linhas tenha sido maior do que com a bola rolando. E os ‘parças’ que dividem com ele o telhado de Paris não são exatamente a companhia que ele precisa para lidar bem com isso.



Daniel Andriotti

[email protected]

Publicado em 08/6/2019.

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