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Sbado, 19 de janeiro de 2019

07/01/2019 - 17h18min

Daniel Andriotti

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Operação Desmanche

Ano novo, vida nova, governador novo, presidente novo. Tudo novo.

Circulou no noticiário das últimas semanas o teor de uma conversa entre o presidente Jair Bolsonaro e a deputada federal mais votada nas últimas eleições, Janaína Paschoal – ambos que contam com o mais profundo ódio e desprezo da esquerda brasileira. Disse ele: “o importante não é o que vamos fazer, mas sim o que vamos desfazer”. O que o presidente quis dizer com isso?

Os mais desavisados pensam: “num país onde há tanto o que fazer, porquê Bolsonaro quer desmanchar?”. Ele se refere ao desaparelhamento de um sistema cancerígeno e tomado por metástases que foi jogado pra cima da sociedade brasileira nos últimos quinze anos, incluindo os últimos quatro que iniciou com Dilma e acabou na última terça-feira com o nome de ‘governo golpista’ de Michel Temer. Tudo isso com muitas contas em aberto para eu, você e todo mundo pagar junto. Desmantelamento de estatais; contaminação do ensino público superior e dos movimentos artístico-culturais ideológicos; dinheiro a rodo aplicado a fundo perdido em obras estruturantes, mega-superfaturadas, prosaicas e obsoletas de países sem futuro; Copa do Mundo (onde o governo Lula apresentou à Fifa um orçamento de R$ 2,6 bilhões mas gastou ‘só’ três vezes mais, principalmente em arenas que hoje servem para que cavalos pastem em seus gramados) mas que enriqueceram empreiteiras com bilhões de dinheiro público repassados ao amigos do rei; Olimpíadas no Rio (cujo parque olímpico se desintegrou um ano depois por materiais de construção de décima qualidade mas comprada a preço de ouro); reajustes de tarifas de energia elétrica maiores do que os devidos (onde a ANATEL reconheceu o erro e mudou o cálculo em 2010, mas o prejuízo, porém – alguns bilhões pagos a mais pelos consumidores – já havia sido computado em favor das distribuidoras e jamais devolvido); construção de estradas e barragens imaginárias a custos amazônicos e refinarias de petróleo como a Abreu Lima, que estamos pagando U$S 20 bilhões desde o início do governo Lula (dez vezes mais do que estava orçado) e que até agora não ficou pronta (mas o que importa é que nesse projeto a PDVSA, da Venezuela, virou sócia da Petrobrás numa parceria em que Hugo Chaves não colocou um centavo). Prejuízo, até aqui, só nessa refinaria incabada? R$ 35, 8 bilhões. Pior que essa, só a texana e sucateada Pasadena, que a empresa belga Astra Oil comprou por U$S 42,5 milhões e revendeu ao Brasil por U$S 1,15 bilhões. Só 27 mil vezes mais. E teve o Petrolão; a caixa preta do BNDES; a transposição do rio São Francisco e tantas outras orgias financeiras para uma elite de gatos gordos com o dinheiro dos impostos de muitos cachorros magros e sarnentos. O prejuízo total dessa demência beira os R$ 261 bilhões. Qual nação poderá crescer com aberrações estúpidas desse tamanho?

Repito: o que Bolsonaro quis dizer com isso? Quis dizer que um país se torna uma ruína muito mais pelas coisas que o governo diz que fez – mas não fez –, do que com o que realmente precisa ser feito. Será inútil, simplesmente, querer montar alguma coisa de útil no Brasil enquanto não se desmontar esse ambiente nefasto, contaminado e corroído.

Leitor, sei que você ficou impressionado com os R$ 261 bilhões, né? Sabe o que dá para fazer com esse dinheiro? 104 mil creches; 928 presídios com capacidade para 600 presos cada um; 7,6 milhões de computadores para alunos do ensino fundamental; pavimentar um de cada quatro quilômetros de estradas de chão-batido no Brasil; colocar 4,8 milhões de pessoas a estudar numa universidade de ensino à distância por um ano; pagar um plano de saúde para cada brasileiro durante dois anos; comprar 8,6 milhões de automóveis Gol 1.0; construir 60,3 mil quilômetros de ferrovias (o dobro do que existe atualmente); oito olimpíadas como a de Londres; duplicar 64,5 mil quilômetros de rodovias – o equivalente a uma volta e meia na Terra – onde sabe-se que milhões de pessoas morrem por ano em acidentes com choques frontais, o que não ocorre em rodovias duplicadas e, agora, a que você mais vai gostar: 43 pizzas para cada brasileiro, o suficiente para comemorar o resultado de mais quatro anos de prováveis escândalos. Só que corrupção e pizza, definitivamente, não combinam...

Melhor esquecer as pizzas...



Daniel Andriotti

[email protected]

Publicado em 5/1/2019.

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