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Quinta-feira, 18 de outubro de 2018

15/10/2018 - 15h38min

Daniel Andriotti

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O problema do Brasil é o vice

Nasci em meio à ditadura militar. Mais precisamente, três anos depois do golpe. Não me orgulho disso, mas também não tenho por que me culpar. O presidente do Brasil era Humberto Castelo Branco, que passou o bastão para Artur Costa e Silva, que passou para Médici, que passou para Geisel, que passou para João Batista de Oliveira Figueiredo...

Alguns anos depois, quando Figueiredo veio a Guaíba inaugurar oficialmente o Núcleo Habitacional Cohab/Santa Rita, a comitiva presidencial – a bordo de possantes e confortáveis Ford Landaus – passou pela Rua Serafim Silva, no Centro, adivinhe quem estava lá, com uma bandeirinha do Brasil feita de papel, acenando para ele? Eu. Sim, eu e meus colegas de escola. Isso significa que eu adorava a ditadura militar? Que adorava o Figueiredo? Claro que não. Eu era uma criança e estava ali sem entender direito o que significava aquilo. Muito menos sabia ao certo quem eram aquelas pessoas. Eu estava ali a convite da minha escola. E aquilo foi uma instrução... de vida.

A partir daquele momento, procurei compreender melhor as coisas porque percebi que a nossa existência dependia da política. Não necessariamente da política partidária. Essa, sim, é nefasta. Entendi que ser de esquerda ou de direita era diferente de ser destro ou canhoto. E dentre as inquietações da adolescência de quem é um pouco mais articulado, está a revolta contra o sistema vigente naquele momento. Seja ele qual for. Adolescente, via de regra, é revoltado por natureza e acha que tudo e todos são injustos para com ele e para com a sua família. Passei por tudo isso sem, no entanto, me sentir alguém “da esquerda” porque percebi que “aquela esquerda” era recheada de entrelinhas interesseiras, que, hoje, me esclarece o por quê de termos chegado aonde chegamos.

Tive uma experiência amarga na tentativa de ser subversivo na época da faculdade. Um grupo ligado ao DCE, chamado Tupac Amaru, com todos os integrantes adoradores de Che Guevara, me convidou para uma “ação”: queimaríamos nossos carnês de mensalidades numa grande fogueira em frente ao prédio do reitor para protestar pelo alto valor praticado. Resultado: a Universidade emitiu um novo carnê, cobrou por isso, e as mensalidades continuaram no mesmo patamar de preço. Deduzi que eu era um péssimo militante. E, até onde sei, nenhum dos líderes daquele movimento seguiu carreira política. Todos, eu inclusive, muito amadores...

Voltando aos anos de chumbo: a ditadura anunciou uma abertura “lenta, gradual e segura”, nas palavras do penúltimo presidente militar que tivemos – Ernesto Geisel – antecessor daquele para quem eu abanei a bandeirinha. O sistema pluripartidário passou a vigorar (o que em minha opinião foi um retrocesso), e os exilados foram retornando gradativamente (o que também lamento por alguns que não deveriam ter voltado). Enfim, uma Nova República. Seus problemas acabaram? Não. Muito antes pelo contrário. O povo elegeu Tancredo Neves, que nem assumiu. E o vice-presidente (cargo que lá na década de 60 já tinha manchado a história do Brasil com Jango, que era vice de Jânio Quadros, que renunciou ao mandato) passou a ter um papel fundamental e assim perdura até os dias atuais. O vice. Com a morte de Tancredo, assumiu o vice José Sarney, de quem me recuso a fazer maiores comentários. Veio a Constituinte de 1988 com a tão anunciada carta magna. Tudo mudou? Muito pouco. Aliás, muitas coisas mudaram, sim: para pior. Sarney e seus marimbondos de fogo afundaram um pouco mais um país que já estava à deriva. E veio Collor, o presidente-atleta, caçador de marajás derrotado por um Fiat Elba velho. De novo, assume o vice: Itamar Franco, de topete e apaixonado por Fuscas. Itamar é sucedido por Fernando Henrique Cardoso, seu Ministro da Fazenda. Depois Lula, que elege Dilma. E, com Dilma, de novo, o dilema do vice. Mas quem votou em Dilma elegeu o vice que hoje está no poder.

Logo, podemos deduzir que o problema do Brasil é o vice. Até porque quando os que comandam perdem a vergonha, os que obedecem perdem o respeito. Essa frase é oportuna, né? Mas não fui eu quem criou. Foi Georg Lichtenberg, filósofo alemão.

Quando? Em 1780...

daniel Andriotti

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Publicado em 13/10/2018.

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