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Tera-feira, 27 de junho de 2017

26/06/2017 - 10h45min

Daniel Andriotti

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Rótulos de Ditadura

Já escrevi nesse mesmo espaço o quanto acho o politicamente correto uma chatice. Um saco. Muitos argumentam que é uma forma de tornar menos conflituosa a convivência em sociedade. Pode ser. Mas lá na Suécia ou na Finlândia... aqui é diferente.

Por exemplo: tente dizer em alto e bom som que a política de cotas raciais é ineficiente ou injusta. E acrescente uma revolta contra o fato de um indivíduo loiro de olhos azuis, pobre e favelado, ser preterido numa vaga de universidade pública por um negro de classe média alta. Depois, experimente pregar que nem tudo que se atribui à discriminação contra a mulher não é exatamente discriminação. Aliás, por falar nisso, eu penso que a Lei Maria da Penha é absurdamente discriminatória. Por quê? Porque agressão doméstica e familiar contra toda e qualquer pessoa – seja ela homem, mulher, gay, branco, preto, índio, deficiente – deve ser punida com os mesmos rigores de uma única lei; e não contar com um artigo específico da Constituição Federal para erradicar a violência contra a mulher.

Você já parou para pensar qual é a maior dificuldade de uma criança ser adotada no Brasil? A primeira coisa que vem à sua cabeça é: “as pessoas só querem adotar crianças brancas e novas porque as negras com mais de 10 anos ninguém quer”. Isso pode ser um fato, mas não é verídico: o número de pessoas que querem adotar crianças negras de mais idade é bem maior do que o número de crianças negras disponíveis para adoção. Mas o politicamente correto prefere olhar por outra ótica e discutir um único ponto que simplesmente não é a restrição do problema social.

Experimente ir numa aula de direito penal e afirmar que prender bandidos diminui a criminalidade. Você será taxado de radical de direita e fascista. Todos os estudos que conheço mostram que prender bandidos é uma das mais eficazes maneiras de combate ao crime. Mas sempre haverá um intelectual para dizer “eu prefiro construir escolas a presídios”. É óbvio que todos preferem construir escolas. Mas existem situações que obrigam o Estado a construir cadeias. Para os defensores do politicamente correto, prender bandidos não resolve porque ‘o problema é estrutural’. Logo, os presídios seriam inúteis no combate ao crime. Mas então, qual é a sugestão? A academia do politicamente correto dirá que – além da educação, é claro – uma melhor distribuição de oportunidades e de renda; e uma maior consciência social. Sim, todos concordam com isso. Mas prender bandidos não exclui as demais alternativas.

A esmagadora maioria da população é contra o aborto. Isso é fato. Então o que faz o politicamente correto? Muda o nome de aborto para ‘direito de escolha’, como se uma escolha já não houvesse sido feita quando o casal decidiu fazer sexo sem proteção. Claro que o estupro é exceção a essa regra.

Diga que Trump ou Bolsonaro não são tão ruins assim. Pronto. Você virou um ultrarradical conservador. O politicamente correto bloqueia qualquer discussão honesta e a substitui por rótulos. Os que defendem as pautas do politicamente correto são taxados de pessoas boas, sofisticadas, inteligentes, moderadas. Já os que não defendem são xenófobos, racistas, intolerantes e golpistas.

O grande problema do politicamente correto é que ao impedir o livre trânsito de ideias e debates, políticas públicas passam a ser direcionadas para corrigir problemas que, não necessariamente, são os mais importantes para aquela sociedade. Em muitos casos cria problemas que sequer existiam. Chamar terrorista de terrorista, bandido de bandido e aborto de aborto é uma regra simples de qualquer debate honesto. Ao se proibir o uso desses termos, o politicamente correto confunde, apatifa com o debate e distorce o mundo real. No lugar de descrever situações, estabelece rótulos e escancara a ditadura do pensamento único. E geralmente errado.

Daniel Andriotti

[email protected]

Publicado em 24/6/2017.

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