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Terça-feira, 09 de junho de 2026

16/01/2012 - 09h18min

Comportamento

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Amor Concreto

Das infinitas lições que tenho aprendido com a vida, a de maior beleza talvez seja também a mais recente, sobre a importância de externar os bons sentimentos. Antes de mais nada, devo confessar que fui pega de surpresa por essa novíssima ideia. De repente, velhas certezas começaram a se desacomodar em mim, abriram-se grandiosas portas na casa da minha comunicação. As ações feitas de silêncios e timidez ficaram de lado quando meu cotidiano foi invadido pela sensação do dever a ser cumprido.

Disciplinada aprendiz, aceitei estudar a novidade sem compromisso. Tratei de entregá-la aos cuidados do tempo, para que ele próprio fizesse seu valioso e indispensável trabalho, maturasse os desafios em mim até que eu pudesse, enfim, entendê-los melhor.

Pacto firmado com os dias e as noites, enquanto as estações aconteciam, fui tomando gosto, criando uma coragem que me era desconhecida; passando, pouco a pouco, da teoria para a prática. Entre um exercício e outro, pesando prós e contras, pesquisei razões para a mudança, analisei frases e gestos, relembrei felicidades compartilhadas, questionei, busquei respostas. E cumpridas todas as etapas, senti, então, que chegara a hora de colocar a gratidão em pratos limpos, que devia expor as alegrias recebidas, dedicar poesias, confessar saudades, reafirmar afetos que poderiam se perder.

Colocar o amor em prática é expressá-lo com frases. “É muito bom estar aqui, adorei que vocês vieram, obrigado pela dedicação, se estamos juntos tudo fica melhor”. É também abraçar e consolar, saber ouvir e cantar, dedicar frações de seu tempo

Entendi, de uma vez por todas, que andar pela existência carregando no peito um coração abarrotado de amor não valerá a pena se, vez por outra, eu não assumir a tarefa de confessá-lo, de reafirmá-lo em breves declarações, em modestas oferendas, mesmo pensando já tê-lo dado a entender.

Descobri que pensar com carinho nas pessoas que me cativaram, sem fazer desses pensares novas frases e dedicatórias, não me é suficiente para viver em paz. Quero ser capaz de externar afetividades no compasso desse meu amoroso coração, defendê-las como merecem, senti-las na forma das concretitudes cotidianas. Para finalmente tirar o verbo amar da injusta categoria de abstração em que foi colocado pelas velhas e amarguradas gramáticas.

Aliviada e feliz, assim pretendo seguir vivendo depois que passei a contar sobre o que sinto de bom pelas pessoas que me são caras, socializando agradecimentos por gestos delicados que algum dia recebi. Elogiando mais, abraçando com entusiasmo, ouvindo atenta as boas histórias que querem me contar, externando o bem-estar pela simples companhia, abrindo o coração.

De todas as lições que tenho aprendido vida afora, a mais recente foi também a de maior impacto, sobre a importância de externar bons sentimentos em forma de prosa, versos e atitudes. No primeiro momento, a ideia me assustou, me tirou da acomodação em que estava. Com o tempo, porém, fui colocando a teoria em prática, e uma novíssima sensação de felicidade tomou conta de mim.

Cristina André

[email protected]

Publicado em 14/1/12.

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