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Sexta-feira, 16 de abril de 2021

18/02/2021 - 10h02min

Comportamento

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Construindo o Futuro

Foi em uma palestra da professora Esther Pillar Grossi, décadas atrás, que aprendi por que brincar é tão importante para as crianças. A competente educadora explicou que é o trabalho delas, rabiscam o futuro enquanto brincam, inventam situações e ensaiam como se relacionar com o que imaginam ser o mundo.

Completando sua fala, observou, pelas razões expostas, que os exemplos do universo adulto podem ser determinantes nos momentos de uma criança escolher suas brincadeiras, se optará para as positivas ou não. E esse detalhe, que parece insignificante, é capaz de interferir, positivamente ou não, em sua vida adulta.


Especialista em Educação Matemática, a Professora Esther defendia a tese de que a divisão deveria ser a primeira operação ensinada às crianças, não a adição. Porque somar bombons elas já sabem, não lhes desperta o interesse; mas dividir com os outros, ah, isso todo mundo quer saber se está bem certinho o resultado. Desde a infância.


Ainda me lembro quando contou aos seus atentos e presenciais ouvintes sobre a dificuldade que precisou vencer, no início da carreira, com uma turma de alunos em que ninguém conseguia se alfabetizar. Achou por bem ir de casa em casa para conhecer as razões familiares daquela recusa infantil à leitura e à escrita. E descobriu que, na maioria das pequenas casas onde viviam, não havia livros nem jornais, sequer bloquinho e lápis; a maior parte dos adultos não sabiam ler nem escrever direito. Então, aquelas crianças precisavam de um exemplo a seguir.


Dali em diante, a educadora entrava em sala de aula, distribuía livros e jornais pelas classes e anunciava a “hora da leitura”, mesmo para quem ainda não sabia ler. Sentava-se em sua mesa e, durante os primeiros quinze minutos de cada aula, ficava lendo o jornal e cada criança deveria fazer o mesmo. Depois, recolhia tudo e dava início às atividades diárias. Em pouco tempo, a sementinha da vontade de aprender começou a dar bons resultados.


Nos dias que se seguiram à palestra, fiz um exercício de retrospectiva da minha própria infância, queria descobrir se realmente havia alguma ligação com o que eu brincava e o que me tornara na vida adulta. Verdade seja dita, até hoje faço essas viagens no tempo, e sempre retorno melhor desses passeios ao jardim daquela infância.


Lembro-me muito bem dos dias de colocar bonecas e pelúcias em um semicírculo, no chão do quarto, voltadas todas para a porta do meu roupeiro, e darmos início às melhores aulas que já ministrei. Antes mesmo de aprender nos livros sobre respeitar as diferenças, na simples observação de adultos próximos, tratava meus pupilos com todo o respeito. Bonequinhas de plástico e coelhos de lã conviviam em harmonia. Até mesmo a maior de todas as estudantes, uma boneca quase do meu tamanho, se portava bem na hora de dividir a merenda com alguém e jamais sofreu buylling. Era pacífica e divertida, aquela minha escola caseira.


Foi em uma palestra da professora Esther Pillar Grossi, décadas atrás, que aprendi por que brincar é tão importante para as crianças. Assim como frequentar a escola, ter uma boa professora e compartilhar a vida com outras crianças.

Cristina André

[email protected]

Publicada em 12/2/21.

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