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Segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

29/01/2020 - 15h15min

Comportamento

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Exemplos de Simplicidade e Delicadeza

Gente boa tem definição muito especial para mim, vem sendo construída, vida afora, com merecida delicadeza, pelas ações positivas em relação às outras pessoas. Não importa estar em plena juventude ou já ter vivido um século, tanto faz ter nascido pobre ou em berço esplêndido; talvez seja batizada em alguma religião, tenha a pele cor de ébano ou de marfim, essas serão apenas diferenças visuais. Porque esse tipo de ser humano é notado pela beleza extrema da alma, do coração feito para acalmar as dores do mundo; abraços carregados com a divina intenção do mais puro agrado.

Conheci, por meio da boa vontade concedida pela existência, muita gente boa. E a isso dou graças todos os dias. São muitos os nomes, diversas as feições e as crenças.


Dona Delminda foi uma pessoa assim, aprendi muito sobre dedicação e amor caseiro com ela, mais pela observação dos seus atos de carinho e dedicação para com os netos que criava do que pelas ações em meu favor. Senhorinha de cabelos brancos presos por antigos grampos, morada simples e comida caseira todo dia preparada para alimentar seus dois guris, sorriso e olhar amoroso estampados no rosto miúdo que certamente nenhum aparelho moderno conseguiria medir. Era chamada de Vó Delminda não apenas por seus netos José Itiberê e Alexandre, mas por toda a comunidade de Sans Souci e da Escola Américo Braga, locais inesquecíveis da minha jornada como professora.

Neste mesmo tempo da minha vida, de pegar o ônibus azul que levava os funcionários do Instituto de Pesquisas Veterinárias Desidério Finamor (IPVDF) e concedia gratuidade também aos professores da escola pública onde eu trabalhava, gostava de observar as conversas dos poucos passageiros com o Seu Hernandez, motorista que dirigia em uma velocidade mais do que perfeita para a tranquilidade da minha mãe. Era uma pessoa educada e gentil, pai de uma colega, a Nadir, do Chacrinha e do Coruja. Se por vezes nos atrasávamos, o bom motorista nos esperava sem se atucanar. E lá íamos nós para mais um dia de boas aulas, eu, a Junko Suzuki, o José Binfaré, a Iara e o Carlinhos Lewandowski e a nossa querida diretora, a Dona Evinha Atalante. Graças ao trabalho paciencioso do Seu Hernandez, que era gente boa.

Havia também uma baiana, que chamávamos de Dona Júlia, que criava seus quatro filhos sozinha, vencendo todo tipo de dificuldades. E como era decidida e valente, aquela mulher, quando se tratava de tratar as crianças da nossa escola com a merecida dignidade. Naqueles dias solidários, por diversas vezes saí com ela pelo bairro, a pedido da diretora, batendo de porta em porta para arrecadarmos donativos alimentares. E a merenda, por conta da grandeza de alma daquelas pessoas que moravam nos arredores da escola, era servida com qualidade e sabor. Tudo pela atitude proativa daquela sorridente baiana, acostumada que era com a luta pela sobrevivência. Boa gente, a Dona Júlia.

No carinho das minhas lembranças profissionais, a delicadeza é importante instrumento para a definição de gente boa. Não me importam os portes físicos nem as diferenças, foi com a beleza da alma e a bondade de seus gestos que algumas pessoas marcaram minha vida.

Porque gente boa é assim, exemplo de simplicidade e delicadeza.

Cristina André

[email protected]

Publicado em 11/1/20.

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