Gazeta Centro-Sul

Contato: (51) 3055.1764 e (51) 3055.1321  |  Redes Sociais:

Tera-feira, 20 de agosto de 2019

20/05/2019 - 14h12min

Comportamento

Compartilhar no Facebook

enviar email

Grandioso Evento

Naquela tarde, tudo parecia ser como sempre havia sido. A vida seguia seu curso naturalmente, repetindo-se em detalhes, assim como quem vê as idas e vindas do catamarã pelas águas do lago que um dia já foi rio.

Enquanto um livro me esperava para a retomada da leitura, o irresistível perfume de café recém passado foi se espraiando pela casa, firmando talentosa parceria com a canção que insistia em propagandear o velho e bom romantismo.

Café encorpado e quente servido, me acomodei na poltrona especialmente reservada para o reencontro com o autor de “Todo mundo tem um anjo da guarda”, presente carinhoso de uma amiga depois da conversa que tivemos sobre o assunto.

Eis que, ao abrir o livro na página marcada, deparei-me com o envelope que uma prima me enviara, com a árvore genealógica da família paterna que eu não lembrava onde havia colocado. Talvez tenha sido obra de meu anjo da guarda aquele encontro casual com os ancestrais. Viajei no tempo, acompanhada por lembranças e novas emoções familiares.

Era momento de mais um café. Coloquei os anjos no modo “espera” mais uma vez e parti em busca da bebida que aquece corpos e almas. No conhecido trajeto caseiro até a cozinha, pensei nesta minha cidade, que de pequena já não pode ser chamada. Um dia já foi metrópole do papel, título exibido logo na entrada, este que é o meu lugar no mundo, com suas qualidades e seus defeitos.

Na volta à sala, recordei das incontáveis tardes de sábado em que nos reuníamos na casa materna apenas para ouvir e contar histórias da infância que todos sabíamos de cor e salteado.

Percebi a música que tocava, invadindo todos os aposentos da minha memória. Era “Estrelas”, quem cantava era Vítor Ramil, acompanhado por Kleiton e Kledir, seus irmãos mais velhos, que formaram uma das mais queridas duplas de compositores e cantores do nosso Estado.

Logo me veio à lembrança o show que realizaram em Porto Alegre, no Teatro Leopoldina, com a participação do MPB4, famosos intérpretes da boa música brasileira.

Na plateia daquele show inesquecível, a emoção tomou conta dos nossos corações estudantis. Lá estavam grandes artistas da Pátria Amada Brasil. E quando começaram a cantar “vou voltar na Primavera, era tudo que eu queria, levo terra nova daqui...”, firmamos parceria vocal.

Décadas depois, Kleiton e Kledir vieram a Guaíba, no projeto Música na Fábrica, da CMPC. Não havia mais o Teatro Leopoldina, em Porto Alegre, mas a emoção daqueles dias, ficou provado, resistiu ao tempo.

Aquela tarde em que tudo parecia se repetir, tal qual rotineira ida e vinda do catamarã pelas águas do lago que um dia já foi rio, foi diferente. Na leitura de um livro, saboreando café recém passado e ouvindo música que insistia no romantismo, aquelas horas se transformaram em grandioso e emocionante evento.

Cristina André

[email protected]

Publicado em 18/5/2019.

Últimas Notícias

Em Barra do Ribeiro, Bolsonaro anuncia mais R$ 100 milhões este ano para a duplicação da BR-116.

Câmara autoriza Prefeitura de Guaíba a fazer empréstimo de R$ 17 milhões para asfaltar ruas e avenidas.

Prefeitura de Guaíba começou o plantio de 1500 mudas de árvores na cidade.

Publicidade

Institucional | Links | Assine | Anuncie | Fale Conosco

Copyright © 2019 Gazeta Centro-Sul - Todos os direitos reservados