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Segunda-feira, 24 de abril de 2017

24/04/2017 - 09h26min

Comportamento

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Descobrimento e Índios

Era um tempo de grandes navegações para espanhóis e portugueses. Oito anos depois do italiano Cristóvão Colombo chegar ao continente americano, a serviço da Espanha, treze caravelas comandadas pelo português Pedro Álvares Cabral, partiram à procura de terras novas. E foi assim que, no ano de mil e quinhentos, no dia 22 de abril, os europeus chegaram ao Brasil.

Como é fácil de se entender, os desbravadores dos mares estranharam nossos nativos, com cabelos lisos escorridos e pele de tom pardo, adeptos da nudez explícita e livres de qualquer pudor. Praticantes da alimentação natural, os primeiros brasileiros de que se tem notícias também assustaram os europeus pelo hábito do banho diário.

Acreditando que estavam na Índia, chamaram os nativos de “índios”. E quando descobriram o engano, o nome já tinha pegado.

Os conquistadores, cheios de empáfia e “se achando os tais”, quiseram escravizar aqueles “índios”, colocar-lhes vestes e catequizá-los. Mas, acostumados com a liberdade, seguindo caciques e levando fé em seus pajés, os tais nativos se revoltaram com os europeus. E, de lá para cá, o que lhes aconteceu foi o quase desaparecimento do mapa brasileiro.

Dos cinco milhões que viviam por aqui na época do Descobrimento, distribuídos em milhares de aldeias, restaram menos de quinhentos mil – dos quais 150 mil morando em cidades. O extermínio teve início pelas doenças que chegaram com os desbravadores brancos.

Em 1943, o então presidente Getúlio Vargas assinou o Decreto Nº 5.540, determinando que os brasileiros teriam uma data especial para homenagear os índios: 19 de abril, o que já era fato em outros países. Isso porque, três anos antes, no México, tinha acontecido o I Congresso Indigenista Interamericano, que contou com a presença de representantes de diversos países. Curiosamente, não havia índios; apesar de terem sido convidados, a maioria receava o desrespeito costumeiro do “homem branco”. Porém, no decorrer do Congresso, muitos índios mudaram de opinião e, enchendo-se de coragem, compareceram e participaram de discussões importantes. O acontecimento entrou para a história, e o dia 19 de abril foi batizado de Dia do Índio em várias nações americanas. Incluindo o Brasil, três anos depois.

Em 1998, a Constituição Brasileira reconheceu os índios, de maneira oficial, como um povo culturalmente especial, assegurando-lhes o devido respeito. E quem se responsabiliza pela defesa dos direitos dos indígenas é a Funai – Fundação Nacional do Índio, órgão governamental que cria e coloca em prática a política indigenista do País.

Mas, mesmo com um capítulo da Constituição dedicado aos indígenas, garantindo-lhes respeito em relação às diferenças culturais e religiosas, a degradação destes moradores primeiros da “terra brasilis” continuou a passos largos. Talvez pelas enormes diferenças culturais em relação aos conquistadores que aqui chegaram.

Estamos em 2017. Vivemos tempos de corrupção escancarada e de esperança por uma justiça igualitária. Aos nossos índios, consolando-os pelas perversidades sofridas há mais de seiscentos anos, hoje podemos dizer que sabemos muito bem como é fazer parte de um povo surrupiado e enganado. Estamos todos no mesmo barco de bandeira brasileira.

Cristina André

[email protected]

Publicado em 22/4/2017.

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